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Neurodiversidade: entenda mais sobre

Neurodiversidade entenda mais sobre

Você já ouviu falar em neurodiversidade? Este é um tema pouco falado, e que pode levantar diversas dúvidas. Entretanto, é preciso abrir cada vez mais caminhos e diálogos para o entendimento geral acerca deste assunto.

O espectro autista possui uma série de variações, e a quantidade de pessoas conhecidas como neurodivergentes no país tem crescido muito.

Isso não é um reflexo do aumento de casos, mas sim, das pessoas estarem de fato procurando se compreender e procurar ajuda. Hoje, uma creche infantil aceita com muito mais facilidade uma criança neurodivergente do que há uns anos atrás.

Esse tipo de situação acabou levantando questionamentos na comunidade acadêmica, que começou a compreender a importância de estudar e buscar soluções para estas pessoas.

História da neurodiversidade

Um grande marco na história da neurodiversidade aconteceu em 1993, quando o fundador da ANI (Autism International Network) se apresentou a um público do país como uma pessoa com autismo.

Seu ensaio mais famoso possuía uma série de críticas aos movimentos da época, uma vez que ele assume que o autismo é parte de quem a pessoa é.

Quando alguém diz que gostaria que outra pessoa não tivesse autismo, é como se ela dissesse que não gostaria que aquela pessoa existisse. O autor ainda diz como mote de seu texto para que não chorem pelos autistas.

Sua associação então tornou-se a primeira organização feita por autistas e para autistas. Antes disso, o ativismo acerca da neurodiversidade era muito pequeno, quase que exclusivamente por pais ou algumas figuras públicas.

Neste momento, em que existe uma abertura e uma brecha de apoio e participação, é quando o termo “neurodiversidade” começa a entrar em vigor. Jim Sinclair, o criador do movimento ANI, era um militante ativo pelo direito dos autistas serem bem representados.

A imagem do autismo era cercada de tristeza e de erros, em grande parte por conta dos movimentos de pais e mães que existiam na época. Estes grupos, que eventualmente começaram a ser conhecidos como “pró-cura”, começaram a fazer diversas críticas à ANI.

No ano de 1998, um médico chamado Andrew Wakefield publicou um artigo relacionando o autismo com a utilização da vacina tríplice. Diversos testes foram realizados por conta disso, e nenhum deles trouxe sequer um resultado que comprovasse essa teoria.

Além disso, Wakefield teve sua licença médica cassada por conta de acusações de fraude em sua pesquisa, com diversos momentos antiéticos, o que acabou gerando uma má reputação na profissão de médicos como um todo em seu país de origem.

Entretanto, isso não impediu os grupos “pró-cura” de usarem este desastroso ensaio como base para propagar desinformação e tentar desacreditar o trabalho de Jim Sinclair. 

Enquanto isso, a ANI estudava o conceito de neurodiversidade, e se empenhava em criar um diálogo.

A neurodiversidade identifica o autismo e suas variações como um acontecimento biológico esperado. Isso significa que a pessoa com autismo ou qualquer outra divergência trata-se apenas de mais uma maneira de ser do ser humano.

História da neurodiversidade

Isso faz com que as atividades de estimulação sensorial, por exemplo, sejam apenas uma forma de estímulo natural, como as aulas comuns, e não um tratamento médico, no caso destas pessoas

Embora houvesse esforços da parte de Sinclair para popularizar esta linha de pensamento e expandir o diálogo, ele criou inclusive um website para isso. Entretanto, ele não conseguiu popularizar seu ponto de vista.

Visto que as pessoas que consumiam o site costumavam hostilizar os visitantes que não se identificavam como autista.

A discussão acabou adormecida até o surgimento do movimento antivacina, quando novos expoentes da discussão sobre neurodiversidade começaram a surgir.

Em sua descrição mais simples, como a definida pela socióloga e cunhadora do termo Judy Singer, pessoas neurodivergentes não sofrem de doenças ou distúrbios, e simplesmente apresentam variações biológicas que são completamente esperadas.

A pessoa neurodivergente tem o mesmo potencial que qualquer outra. Por isso, encontramos estas pessoas nas mais diversas áreas, desde programação de computadores a profissionais de massagem shiatsu.

O ser humano é uma figura muito complexa, e apresenta uma série de diferenças. Portanto, pessoas neurodivergentes não precisam de curas ou tratamentos, e sim, de compreensão, uma vez que fazem parte do espectro da diversidade humana.

Dentro da categoria de neurodivergência, podemos citar alguns dos principais tipos, como:

  • Transtorno do Espectro do Autismo (TEA);
  • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
  • Dislexia;
  • Dispraxia;

Além de uma série de outros transtornos e síndromes, que na verdade precisam de muito mais reconhecimento e respeito para que estas pessoas possam se sentir acolhidas na sociedade.

O movimento pela neurodiversidade

A partir deste tipo de pensamento, iniciou-se um movimento social para pessoas neurodivergentes, buscando direitos civis, respeito, inclusão e igualdade para estas pessoas, que muitas vezes são colocadas à margem da sociedade.

Por exemplo, uma escola de ensino integral que aceita alunos neurodivergentes já está inserida neste tipo de movimento.

Um dos principais defensores dessas causas é o ARM (Autism Rights Movement), um movimento social norte americano que tem como principal objetivo fazer com que autistas e outros neurodivergentes tenham acesso a elementos básicos da vida.

A ideia destes movimentos é incentivar a sociedade, cuidadores e os próprios envolvidos de que a neurodiversidade é uma boa posição, uma vez que aceita todos estes espectros como uma simples variação do cérebro humano.

O movimento pela neurodiversidade muitas vezes é considerado uma ação de justiça social, se aliando a outros movimentos como os de biodiversidade e diversidade cultural.

Assim, ele conta com apoio de profissionais como uma clínica geral particular para apoiar o movimento e ajudar a integrar os membros.

A ideia da neurodiversidade implica que terapias e medicamentos cuja única intenção é alterar ou monitorar o comportamento de um indivíduo são completamente desnecessários.

Isso sem contar que é antiético, uma vez que por não se tratar de uma doença, um tratamento como estes é extremamente danoso para a pessoa envolvida no processo, que pode acabar agravando quadros por conta desse tipo de elemento.

O que é uma pessoa neurodivergente?

O indivíduo que possua uma configuração neurológica que não esteja de acordo com os padrões da sociedade é considerado uma pessoa neurodivergente.

Basicamente, estão dentro do espectro neurodivergente todos aqueles com transtornos e dificuldades de se adaptar a padrões de desenvolvimento. Isso não significa que ele não consiga por meios próprios fazer parte de um estúdio para ensaio, por exemplo.

O termo foi criado como um oposto para o neurotípico, que é a pessoa que constitui os padrões de pensamento e desenvolvimento.

Estas pessoas são a maioria, o que acaba prejudicando os neurodivergentes, que muitas vezes tem seu desenvolvimento visto como algo errado ou anormal.

A luta do movimento de neurodiversidade é justamente para eliminar essas linhas de pensamento.

Assim, as pessoas logo compreenderão que formatos diferentes de se desenvolver não são obrigatoriamente ruins, criando alternativas para que estas pessoas possam coexistir com toda sua funcionalidade em dia.

Para ajudar a disseminar a informação, é possível criar um banner informativo, ajudando a compreender as diferenças necessárias.

O que o futuro reserva?

Pessoas neurodivergentes ainda sofrem muito na sociedade. A grande maioria, embora deseje estar inserida no mercado de trabalho, ainda não tem oportunidades o suficiente. Além disso, muitos sofrem de problemas de saúde mental.

O bullying causado na infância, juntamente com tratamentos agressivos ou abusivos acaba gerando estresse e depressão nestas pessoas, que acabam sendo colocadas à margem da sociedade.

Em alguns casos, procurar um cartão de visita psicologo para se consultar e cuidar de sua saúde mental é fundamental.

Além disso, uma das mais importantes ferramentas de apoio para o futuro será a construção de espaços e ambientes seguros para impedir esse tipo de situação. 

Ademais, muitas empresas estão começando a se dar conta da importância de apoiar a causa neurodiversa.

Por isso, programas de incentivo, estágio e outras ferramentas estão começando a ser criadas. Apesar de ainda estar longe do ideal, é importante que estas ações comecem a ser efetivadas.

Em grande parte, tudo o que os movimentos neurodiversos buscam é apoio, aceitação e a construção de um ambiente estimulante para eles, onde possam se desenvolver com suas diferenças e serem aceitos por isso.

O que o futuro reserva?

Sem contar que o apoio acadêmico e profissional é fundamental. Mais universidades e organizações estão sendo conscientizadas e começando a apoiar os movimentos em respeito à neurodiversidade.

Por isso, exercícios de inclusão e remoção de estereótipos têm sido realizados com cada vez com mais frequência. Em grande parte, um conservadorismo social acaba prejudicando essas pessoas.

Alguns pesquisadores nem ao menos entendem porque ainda existe tanto desemprego entre pessoas neurodivergentes.

Isso porque, com uma linha de pensamento e desenvolvimento diferente, estas pessoas têm um enorme potencial criativo para conseguir novas oportunidades.

O neurodivergente possui uma série de potenciais inexplorados, que podem ser de grande importância para uma empresa. 

Entretanto, eles ainda têm que passar por uma série de barreiras para se provar capazes de fazer o básico, o que acaba podando esse tipo de estrutura.

Considerações finais

A neurodiversidade é um conceito que cada vez mais precisa ser espalhado, para que as pessoas neurodivergentes tenham o respeito e o conforto que merecem e se sintam seguros para existir em nossa sociedade.

Aos poucos, os conceitos de justiça social estão sendo inseridos em todo o mundo, criando uma sociedade mais diversa e menos intolerante com as pessoas que são de alguma forma diferentes.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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